terça-feira, 27 de janeiro de 2015

INIMIGO SEDUTOR

Inimigo Sedutor
Barbara Souty
Wayward Lover
Coleção Fascinação, nº 97
Editora Nova Cultural , 1980
Assunto Homens ciumentos - Ciúmes

Jason Tobias era um homem estranho. Sem ter nenhum direito sobre Lila, no mesmo dia em que a conheceu começou a dirigir sua vida como se fosse o seu dono e senhor. Sem ter nenhum compromisso com ela, não lhe dava o direito de aproximar-se de outro homem. Sem amá-la, beijava-a loucamente, acariciando-a até vê-la dominada, submissa, perdida de amor. E, não contente com isso, passava dias na maior indiferença, frio como gelo, distante como um inimigo. O que desejava ele, afinal? O que teria em mente, para exercer assim o seu poder de sedução, e depois deixá-la desnorteada, infeliz e totalmente apaixonada?


Capítulo 01

Lila Drake acelerou o pequeno conversível amarelo, deixando para trás as ruas de tráfego intenso. A manhã estava linda, e ela dava graças a Deus por sua boa sorte. Finalmente os sonhos que acalentara durante tanto tempo tinham chances de se realizar.
Conseguira apressar o processo de inventário e resga¬tar integralmente o dinheiro que seus pais haviam investido antes de morrer. Não se tratava de uma grande fortuna, é verdade. Permitira-lhe, porém, deixar o antigo emprego, que não lhe agradava, e partir para Houston, sua cidade natal, numa tentativa de iniciar vida nova.
Além disso, tivera a coragem de romper com seu noivo, Carlos. O rapaz era muito ciumento e por pouco ela não cedera às suas pressões. Muitas vezes, depois de longas discussões, chegara até a considerar a hipótese de abandonar seu objetivo de tornar-se escritora. Quando começava a duvidar de si mesma, já quase aceitando o pedido de casamento dele, tinha havido a grande reviravolta: a Editora Bessít interessara-se por seu livro, que, com as devidas correções, seria publicado em breve. As coisas, afinal, pareciam tomar o rumo certo. Seu futuro, que até então se vislumbrava como algo medíocre, desenhava-se agora bastante promissor.
Um sorriso entreabriu-lhe os lábios ao recordar-se daquela mudança tão súbita. Tinha sido certamente a mão do destino que a trouxera de volta a Houston, onde já havia até conseguido trabalho, graças ao empenho de sua tia em ajudá-la. Viera com a intenção de visitar sua única parenta, a tia Margaret, mas a cidade a encantara tanto que resolvera ficar. E escolhera a época certa: agora, nesse início de verão, o clima era bastante agradável, quase tropical.
Assim, guiando sob o sol escaldante que lhe bronzeava o rosto naturalmente bonito, Lila estava satisfeita por ter prendido os longos cabelos num rabo-de-cavalo para se apresentar como preceptora de duas garotas. A saia de algodão e a camiseta sem mangas que escolhera para vestir eram adequadas ao clima e esperava que não fossem demasiado informais para a ocasião. Felizmente, as sandálias brancas, de salto alto, davam-lhe o toque de elegância necessário para não chocar a amiga de sua tia.
Abençoada tia Margaret! Sua preocupação com as sobrinhas de uma velha amiga era tão grande que só sossegou quando Lila aceitou assumir o posto de professora particu¬lar das meninas.
Não que tivesse sido fácil para Lila tomar essa decisão. Afinal, ela pensava dedicar-se por completo à tarefa de concluir o livro, ainda não havia decidido sequer onde fixar residência. Depois de muita insistência da tia, e pensando bem, tinha mudado de idéia. Suas finanças estavam equilibradas e o salário generoso que receberia pelas aulas, trabalho simples, de algumas horas por semana, reforçaria sua renda e não iria interferir em seus planos mais recentes. Sem contar, é claro, que gostava muito de lidar com crianças.
Por tudo isso, Lila sentia-se realmente feliz. E surpreendida com o progresso que via em toda parte. Havia chegado a Houston há alguns dias mas parecia estar vendo tudo pela primeira vez. Pouco restava do aspecto interiorano da cidade em que vivera até a adolescência. Edifícios altos e luxuosos tinham sido construídos e, nas ruas próximas ao centro, o comércio era intenso, com muitas lojas, grandes bancos, restaurantes sofisticados e toda sorte de serviços característicos às grandes metrópoles.
Cantarolando baixinho, de pura alegria, Lila brecou o carro e parou num farol. Enquanto aguardava a mudança de sinal, reparou numa loja de antigüidades no outro lado da rua. Resolveu dar uma espiada e estacionou junto à calçada do edifício.
A loja compunha-se de várias salas. Uma elegante vendedora explicou-lhe que os objetos mais raros estavam expostos na parte da frente. Os menos interessantes espalhavam-se pelos compartimentos internos.
Lila decidiu começar pelos fundos. Viu camas de ferro esmaltado, cabides, candelabros e uma enorme variedade de quinquilharias. Gostou, especialmente, de um pequeno relógio de bronze, de origem francesa, mas resolveu deixar a compra para mais adiante, quando recebesse o primeiro salário.
Percorreu devagar os vários ambientes, parando aqui e ali para examinar mais detalhadamente as peças que lhe chamavam a atenção. Era uma pena não ter dinheiro disponível para adquirir tantas coisas interessantes!

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